Tarefa de detetive

                                                                                                      Margaret M. Bakos

A porta se entreabriu, depois de uma batida tímida e um sujeito grandalhão, sofrivelmente vestido, entrou, sorriu para mim e Samantha. Ato contínuo se atirou em nosso sofá novo que ainda estava sendo pago, em quatro prestações, e nos deu um boa tarde igualmente, tímido.

Em que podemos ajudá-lo? Perguntei.

Me chamo Carlos Eduardo Silva, respondeu. Tenho um caso para os senhores.

Pois, me conte, falei. E dei um sorriso encorajador.

– Eu vivia um caso sério com uma linda jovem, de 20 anos, modelo de revistas. Sabe?

– Sei.

Pois ela foi encontrada morta, dentro de um carro, no lugar do passageiro,  e segurava, nas mãos, um ramo de rosas novas, brancas, envolvidas em um celofane amarrado com uma fita vermelha.

E, então? Perguntei e já comecei a ficar inquieto. Será que o meu primeiro cliente seria um assassino? Será que é perigoso? Os olhos de Samantha, que eram grandes, estavam arregalados! Por sorte, Carlos Eduardo, chorava e soluçava. E, certamente, não notou o nosso espanto. Samantha buscou um copo d’água e alguns lenços de papel. Ele se acalmou. Disse que o crime ocorrera há mais de seis meses. A Polícia deu o caso por encerrado, mas ele dera por irresolvido. Por tal razão, nos procurou. Justo no nosso dia de inauguração do Escritório. A placa fora colocada na janela nesta manhã: Detetives Associados. Mas eu era o titular e único. Samantha, a minha namorada, que nada entendia, bem como eu, daquela atividade, era a secretária provisória.

Minha noiva, embora não fosse oficial, balbuciou Carlos Eduardo, morava com a minha sogra no bairro Partenon. A última vez que a vi foi quando a deixei na casa da mãe. Depois, nunca mais. Ele começou a chorar novamente. Samantha fez um Nescafé, que ele tomou rapidamente. Seu desejo era que fizéssemos uma visita a mãe de Nereida, a morta, porque ele cismou que ela escondia a verdade do crime dele, que desejava vingar Nereida.

Fiquei feliz que Samantha me acompanhou na visita a mãe da vítima. Demoramos para achar a casa que ficava em uma vila popular antiga, do Partenon. Chegamos lá às dezoito e trinta, pontualmente, como marcado pelo Carlos Eduardo.

 Dona Gessi era pequeninha, ao contrário do ‘genro’, e espalhafatosa. Vestia-se com uma calça brim justíssima e uma blusa vermelha com flores coloridas. Gordinha, e simpática, ela nos recebeu com muita cortesia.

No caminho, Samantha eu tínhamos conversado, de como ela seria e decidido que ela devia ser uma pessoa triste. Ao contrário, ela não parecia em nada com uma mãe de luto. Tinha um copo na mão e nos ofereceu uma cachacinha de uva, feita por ela.

A sala era pequena, com duas poltronas, de uma cor verde gritante, um sofá e uma mesinha, onde estava uma bandeja de plástico azul, dois copos e uma garrafa, que parecia ser de whisky, com um líquido roxo, que com o rótulo mal tirado do whisky, lhe dava uma aparência duvidosa.

Vocês vieram a mando de Carlos Eduardo que é um bom rapaz, mas ele não sabe da missa a metade, o pobrezinho. Nereida foi morta pelo ex-marido da minha filha mais velha,  a Neda. Ele  também assassinou a esposa dele, da mesma forma com que pôs fim  à vida da Nereida.

Expliquei e até mostrei para o Carlos Eduardo as fotos da Neda com o criminoso  e também a que foi tirada dela depois de morta com as rosas brancas, dentro de um carro lindo, parecido com o que Nereida foi encontrada. Carlos Eduardo, é ruim da cabeça e, infelizmente, acho que nem lembra disso.

Bateram na campainha e dona Gessi foi abrir para receber as amigas, pequeninas como ela.

 Dona Gessi nos despediu, explicando:

– Vieram provar minha cachacinha com receita nova!

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