Serápis

O deus criado pelos primeiros Ptolomeus, que, sob iconografia helênica, congregava a essência teológica egípcia.

Foi na Alexandria ptolomaica, no século III a.C., que se elaborou uma imagem diferente dos antigos deuses egípcios. Esta nova imagem nasce do encontro entre a religião tradicional egípcia, que possuía divindades zoomorfas ou híbridas, e as técnicas e modos de expressão de origem grega, como o aspecto antropomorfo dos seus deuses.

 O poder político sediado em Alexandria procurou criar condições para que os imigrantes tivessem um centro de interesse religioso na sua nova residência,  ao mesmo tempo que procurava satisfazer o profundo e ancestral sentimento de religiosidade dos egípcios, muito voltados para as noções de vida eterna e de magia.  Foi esta justaposição religiosa que gerou Serápis, deus criado pelos primeiros Ptolomeus, que, sob iconografia helênica, congregava a essência teológica egípcia. 

A representação típica dessa nova divindade era a de um homem maduro, com barba e longos cabelos encaracolados, vestindo uma típica túnica helenística plissada (chiton) e um manto (himation), calçando sandálias e usando na cabeça um modius (cesto ou vaso semelhante a um moderno vaso de flores, usado como medida de cereais), também chamado calathos, que representava a fertilidade e a abundância da produção agrícola do Egito.   Há também testemunhos iconográficos em que aparece segurando um cetro e pousando a outra mão sobre a cabeça de um monstro tricéfalo (assimilação do cão Cerberus, guardião do Inferno). Esta figuração faz dele também o senhor do tempo e da eternidade. Serápis foi também frequentemente representado apenas em busto.

Serápis se tornou o principal deus de Alexandria no período helenístico. Uma divindade suprema (como Zeus), um poderoso deus da cura (como Asklepios) e um deus associado à fertilidade da terra (como Helios), bem como a fronteira entre a vida e morte (como Hades). Ele era um novo consorte da poderosa deusa egípcia Ísis e o pai de seu filho, Harpócrates. (anteriormente Hórus, filho de Osíris). Como tal, ele era um deus da abundância e da vida renovada, que também passou a ser adorado como portador da inundação anual do Nilo, que fez a terra prosperar.

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