Ser mãe no Egito Antigo

Para marcar este dia das mães, vamos olhar algumas das atribuições que cabiam às mães egípcias e como este papel era valorizado naquela sociedade.  

As funções de uma mãe no Egito antigo começavam já na hora do parto. Cabia à mulher a escolha do nome do bebê.  Esse apelativo tinha muita importância, pois a criança o carregaria no futuro e podia relacioná-lo a várias coisas, normalmente positivas. Exemplificando, o nome podia significar uma qualidade física: Wersu: Ele é grande;  uma origem,  Paneshy: o Núbio; ou uma homenagem a um deus, Dhutmose: Thot vive.

Não ter ou perder um filho era um acontecimento muito trágico às famílias, sendo necessário muitos cuidados devido ao grande número de  enfermidades que ameaçavam os seres naqueles tempos, especialmente os petizes.  Havia um grande número de amuletos para garantir saúde aos filhos, muitos conjuros para reforçar as magias. 

Os escribas registraram como prazeroso, para as mães, o ato de amamentar, sendo a valorização de seu papel ligada a essa atividade. Ao leite, eles designavam o ‘líquido curativo’  irtt,  que verte dos seios. Pelas ilustrações, sabemos que as mulheres, mães ou amas, costumavam segurar o bebê no colo para amamentá-lo, o que geralmente era feito pelo período de cerca de dois anos.

Já na época dos filhos se casarem, cabia à mãe egípcia dar a permissão para os enamorados selarem o compromisso.  Outro caso que ressalta a condição hierárquica das mulheres é o fato dos egípcios atribuírem normalmente para serem identificados o nome de sua mãe em lugar do pai. 

A vasta coleção de ostrakas, oriundas da Vila de Deir el Medina, testemunham que mulheres e familiares dos trabalhadores eventualmente também aprendiam a ler e a escrever.  Entretanto, esses registros sobre mulheres letradas são menos frequentes que os textos, como as Instruções de Any, compostas no Novo Reino, e que valorizam as mulheres pelo seu papel de mãe.  As instruções de Any são um conjunto de ensinamentos do pai para o filho, sobre como tratar a esposa, como evitar as mulheres desconhecidas, respeitar e reconhecer os sacrifícios da mãe perante a criação dos filhos. 

Através destes textos que sabemos o quanto os egípcios antigos  valorizavam a manutenção dos vínculos maternos. Ao elogiar ambas – a mulher companheira e a genitora – o homem está, conforme Any,  lutando pela vida.  A batalha é diária e magnificamente exemplificada no último conselho, em que Any sugere ao homem que dê liberdade à mulher em casa e que resista as tentações surgidas fora de casa.

Retribua em dobro a comida que sua mãe lhe deu,
Sustente-a como ela sustentou você;
Ela teve em você um fardo pesado, mas ela não o abandonou 
Quando alguns meses depois de você ter nascido 
Ela ainda o tinha como sua canga 
Seus seios em sua boca por três anos 
Como você crescia seu excremento ficava nojento
Mas ela não se enjoava, dizendo: “O que podemos fazer?”
Quando ela mandou você à escola
E você foi ensinado a ler e a escrever
Ela ficou vigiando você diariamente
Com pão e cerveja na sua casa
Quando você como um jovem tomar uma mulher
E você se estabelecer na sua casa
Preste atenção no seu produto
Faça-o crescer como fez sua mãe
Não lhe dê motivo para amaldiçoá-lo 
Para que ela não tenha que levantar sua mão para Deus
E ele tenha que a ouvir chorar
(LICHTEIM,1987:141)

Em síntese, as Instruções fortalecem a visão da mulher como geradora de vida sem esquecer o lado malicioso e maldoso da figura feminina, mas, sem dúvida, na base permanece a sua posição enaltecida na casa.  A mulher, no espaço do seu microcosmo e à semelhança do sol no firmamento e do Faraó na terra, tem a responsabilidade do ciclo vital. Como geradora de novos seres humanos desempenha no dia a dia uma função tão expressiva quanto à do sol que marca as estações do ano. 

Você pode ler essa e outras curiosidades no livro :
Fatos e mitos do antigo Egito

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