Porto Alegre dos meus sonhos

Margaret Marchiori Bakos

Enquanto o avião pousava, após os repetidos anúncios de afivelar  os cintos, meu pensamento se  voltou para Antônio Caringi, o genial escultor da obra, que Roberta me anunciou; eu a veria assim que o carro se encaminhasse do aeroporto para a capital gaúcha.

Guardei o meu caderno de anotações onde eu fizera um resumo da minha fala na Universidade. Retirei o celular da bolsa e fiquei com ele na mão, configurando o modo fotografia. Senti que estava nervosa e emocionada pelo meu retorno a Porto Alegre, depois de trinta anos. Por acerto meu com o Departamento de História, hoje completava a data redonda e eu faria a primeira conferência ali, depois da experiência de vida na Irlanda.

Minha dificuldade em acertar os comandos do smartphone me irritava. Os celulares chegaram muito tarde na minha vida. Fizeram falta e passei a usá-lo compulsoriamente, desde que comprei o primeiro, mas ainda me sentia confusa cada vez que trocava de aparelho. A última troca foi agora, há quinze dias. Estava usando, pela primeira vez, um Apple, comprado em Nova York, porque era barato em relação aos preços no Brasil. E, porque fiquei meio atordoada na Loja espetacular que a Empresa construiu na Quinta Avenida. Bobagem, o velho ainda estava bom.

Meu tempo em Porto Alegre seria muito curto. Chegaria às 12:00. Roberta estava impossibilitada de me buscar, mas almoçaríamos juntas. Ela também me acompanharia até o Salão do Serginho, onde, depois de quase quarenta anos, eu faria um corte de cabelo e um penteado com ele.

O almoço estava delicioso: feijão com arroz, bife, bolinhos fritos e uma couve fininha, cortada pela Aninha, cozinheira que alimentou minha infância. Roberta estava ótima, magra, bem humorada e foi logo dizendo: – Todo povo vai te ouvir. Espera ver a cara de nojo das ‘nossas colegas’. Mas Herminia foi fantástica , disse que a tua presença era o maior acontecimento do ano. Sorte nossa, que a tua vinda coincidiu com a gestão dela que, aliás, se aposenta este ano. Estamos felizes com tua disponibilidade para esta apresentação. Porque mesmo decidiste vir?

Enquanto saboreava o almoço, pensei, que a minha amiga tinha toda a razão para estar surpresa. Saí meio assustada de Porto Alegre e me recusei voltar, embora sentisse saudade de tantas coisas e pessoas. O que me levou daqui foi o mesmo que me segurou lá fora: a boa vontade e a recepção que encontrei aos meus estudos.

O que me fez voltar? Foi quando tu me falou Roberta do aniversário de comemoração que haveria para a estátua maravilhosa de Antônio Caringi, que completava  cento e quinze anos de idade neste dia 25 de maio de 2020.

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