O MUSEU NACIONAL DO RIO DE JANEIRO

O Museu Nacional do Rio de Janeiro está situado no local historicamente conhecido como o Paço de São Cristóvão. O prédio, construído por um rico negociante português no fim do século XVIII, foi presenteado ao rei D. João VI em março de 1808. Desse ano até 1821, o Paço foi residência da família real e de 1822 a 1889 abrigou a família imperial. Na proclamação da República, em 1889, foi sede da Assembleia Constituinte, encerrada em 1891. Desde 25 de junho de 1892 é a sede do Museu Nacional. 

O antigo Palácio de São Cristóvão mede 74 metros de frente, 44 metros de fundos, 108 metros de comprimento e 21 metros de altura. Desde a sua construção, em 1810, sofreu várias modificações, com acréscimos de torreões, andares e fachadas até a grande reforma de 1910 que dá o aspecto atual ao velho Palácio.  

Museu Nacional (Rio de Janeiro)

Hoje, em estilo neoclássico , é composto basicamente por três pavimentos, em blocos retangulares, separados por pátios internos.  A transformação do palácio, onde habitava a família real portuguesa no país, em Museu Nacional, concretizou a ligação histórica entre a realeza e a Instituição cultural.  

No dia 02 de setembro de 2018, o Museu Nacional foi consumido por chamas em um grande incêndio. Estima-se  que entre 75% e 78% do acervo foi afetado pelo incêndio. Havia múmias, tanto egípcias como andinas, milhões de espécimes representando a biodiversidade atual e do passado da Terra, minerais, documentos raros, como cadernos da imperatriz Leopoldina e o acervo da bióloga e ativista feminista Bertha Lutz (1894-1976), e muito mais.

O acervo de peças históricas que constituíam  o patrimônio do Museu foi formado, antes da República. Ao final do século XIX, a família real portuguesa incentivou no Brasil a difusão dos conhecimentos adquiridos sobre a civilização egípcia. 

A expedição napoleônica ao Egito, em finais do século XVIII, e as aquisições de peças egípcias por D. Pedro I em 1824, constituem, respectivamente marcos fundamentais para a egiptologia europeia e brasileira. No velho continente, o interesse pela cultura egípcia intensificou-se a partir da genial decifração dos hieroglifos por Champollion e a criação da egiptologia. Daí em diante desenvolveu-se na Europa uma forte tendência a resgatar e valorizar a cultura egípcia. O modismo espalhou-se para a América, recebendo no Brasil o patrocínio dos mecenas portugueses: primeiramente D. Pedro I e depois seu filho, D. Pedro II. Esse visitou duas vezes o Egito, em 1871-72 e 1876-77. 

Sem dúvida, as cabeças coroadas do velho mundo foram as principais responsáveis pela dilapidação do patrimônio egípcio e pela formação dos acervos europeus. Pela conjuntura histórica do século XIX, o Brasil, a despeito de ser um país do novo mundo, tornou-se herdeiro dessa tradição, importada do velho continente pela família de Orleans e Bragança.Grande parte da coleção egípcia do Museu Nacional foi comprada em hasta pública em 1824 por  D. Pedro primeiro de um comerciante que planejava vender tais peças na Argentina, mas não foi bem sucedido.  

Em 1876, D.Pedro II, em uma de suas viagens ao Egito, foi presenteado pelo Khedive Ismael, com um sarcófago da época Saía.  Alguns outros objetos foram, ou doações, ou trocas de várias pessoas ao final do século passado  e no início do século XIX. Desde então a coleção não aumentou mais. 

O autor do primeiro catálogo sobre esse acervo foi Alberto Childe, nascido em São Petersburgo na Rússia, falecido em 1870 em Petrópolis, no Brasil. Foi Childe quem, no decorrer de vinte anos como conservador do Museu Nacional, restaurou as múmias e resgatou as origens históricas da coleção.  Muito pouco divulgado, com edição esgotada, o “Guia das coleções de Arqueologia Clássica do Museu Nacional do Rio de Janeiro”, de Childe, publicado em 1919, está apenas disponível em bibliotecas especializadas. 

Atualmente, acadêmicos estrangeiros estão divulgando essa coleção pelo mundo inteiro. Ao visitar o Brasil em 1985, Kenneth Kitchens, renomado egiptólogo inglês, teve a oportunidade de conhecer esse acervo. Em 1988, K. Kitchens, juntamente com Maria da Conceição Beltrão, decidiu realizar um trabalho que cobrisse inteiramente a coleção egípcia. Graças a exaustiva pesquisa de gabinete dos autores, entremeada por mais duas viagens de Kitchens ao Brasil, foi publicado o primeiro Catálogo da Coleção do Egito Antigo existente no Museu Nacional. Esse fato facilita consideravelmente a realização de futuras pesquisas sobre o tema.

Você pode ler essas e outras curiosidades no livro :

Fatos e mitos do antigo Egito

 KELLNER, Alexander WA. A reconstrução do Museu Nacional: bom para o Rio, bom para o Brasil!. Ciência e Cultura, v. 71, n. 3, p. 04-05, 2019.

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