O HOMEM EGÍPCIO E SEUS MITOS

No Egito Antigo, a espécie humana enxergava uma verdadeira cumplicidade no ecossistema. Essa cumplicidade orquestrava as ações dos homens, dos animais e do meio físico. Baseado nessa premissa estabelecia-se um raciocínio simples: os deuses criaram o cosmo, os seres humanos, animais, minerais e vegetais. Então, cabia a cada exemplar de espécie, reproduzir o gesto do criador. Para que nada se perdesse, por esquecimento ou má fé, havia os registros. 

Por  meio da tradição oral e da escrita, o egípcio cultivava a memória. Diferentemente da nossa consciência histórica, filosófica ou moral, a memória do egípcio servia de registro para o cumprimento de tarefas rotineiras. A escrita hieroglífica permitiu essa repetição, que nunca significou imutabilidade na adoção, por exemplo, de técnicas novas de trabalho. Ao contrário, os egípcios mudavam os meios de fazer alguma coisa, jamais as finalidades. Se os deuses criaram o mundo e os seres para um convívio comum, também tornaram a harmonia entre eles seu objetivo maior. Essa era a síntese da memória prezada e transmitida. 

O pensamento mítico foi a solução que os egípcios encontraram para conhecer o mundo ao seu redor, embora sem achar um caminho para descrevê-lo em sua totalidade. Para os antigos egípcios o mundo estava cheio de deuses. Animais que escapavam à normalidade do panorama eram deificados, como o falcão, que se desloca no ar, sem outra força aparente que o sol; o chacal, que ultrapassa o deserto, como um espectro e o touro que tem as sementes da procriação. Sem dúvida, para eles nada era inanimado, havia uma alma em cada coisa. Tudo no mundo que inspirava admiração ou medo era um deus, alguns considerados maus, a ser respeitado, temido e até bajulado. Assim, viam deidades em árvores e fontes, pedras e montanhas, nuvens e tempestades, trovões e relâmpagos, fertilidade e nascimento, divindades que possuíam estranhos poderes dos quais eles não eram o senhor. 

Tanto entre homens, quanto entre os deuses havia relacionamentos, sociedades de entes sagrados e famílias. Esses deuses apareciam em forma humana, algumas vezes em forma animal e até em forma composta. Mesmo quando representados no modelo humano, os deuses nunca perdiam completamente suas primitivas características de animal, líquido, mineral ou vegetal; e como tal inspiravam um enorme temor. 

Os antigos egípcios reconheciam, pensavam e tratavam todos os objetos cósmicos como deuses ou deusas: o sol era adorado como Re, a lua como Thot, o céu como Nut e a terra como Geb. Um eclipse solar era um episódio assustador, significando que o astro fora engolido pela serpente, animal peçonhento do deserto. 

É extremamente difícil resgatar os valores de um grupo humano que passava grande parte da sua existência ao ar livre, em contato direto com a natureza. Contemplar a jornada diária do sol, de leste a oeste, ou o movimento das águas do Nilo, da nascente ao delta, era parte da rotina de todos. 

Entre 3500 e 2250 a.C., formaram-se pelo menos três teorias sobre a criação: Heliópolis, Hermópolis e Mênfis. É extremamente difícil, para nós, entendermos sua cosmovisão. Ela se formou de diversos mitos, acolheu sincretismos de um para o outro, também sofreu influências estrangeiras e contemporâneas e mudanças. ao longo dos três mil anos de história faraônica. 

Você pode ler essas e outras curiosidades no livro :

Fatos e mitos do antigo Egito

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