Mito, magia e medicina

Aos olhos dos Egípcios, a maioria das doenças, que não eram causadas por acidentes perceptíveis, eram efeitos de forças hostis, espíritos oponentes masculino ou feminino ou mesmo morto.

Quem podia viver em mundo assim? Todos que acreditavam nos seus deuses, principalmente da mitologia de Heliópolis. 

Assim, segundo a mitologia, Thot, o deus patrono das artes medicas,  e Isis, que criou a vida, a partir da sua transformação em um passáro que batia as asas sobre o seu marido morto e mumificado, engravidando, eram os deuses curadores; Seth e seu séquitos de malfados, aqueles que traziam o mal! Mas eles acreditavam também que as doenças podiam ser  criadas por pessoas do mal, mesmo os seus vizinhos e parentes, com suas feitiçarias produzidas no fundo dos quintais. Entretanto, havia curandeiros de todas as categorias sociais, nas cortes dos faraós. Entre os camponeses, nos campos e artesãos e comerciantes das pequenas vilas  e cidades, o grande vilão era o ‘olho grande”.

O tratamento deles era, portanto, mágico e cabia ao feiticeiro operar, arrancando os malefícios. O mesmo ocorria com picadas de escorpiões ou picadas de cobras, particularmente freqüentes no Egito, e contra as quais parece, no entanto, que nenhum medicamento especial foi aplicado, enquanto uma multidão de papiros e bilhetes mágicos lhes foi dedicada.

Há, por outro lado, uma literatura abundante e sofisticada, ao lado das magias: uma medicina faraônica. Os textos mencionam oculistas, dentistas, ginecologistas, cirurgiões que compreendem até veterinários. Há preocupação ainda no ensino destes profissionais, comprovados pelos papiros, como o Papiro Ebers e o Papiro Edwin Smith.

Entre as maiores especialidades, encontramos os conhecedores dos caminhos do coração, os primeiros a entender o único órgão humano que, de tão importante, era o único que permanecia no corpo do morto e que chegava ao outro mundo.

Havia três tipos de curadores no Egito antigo, cujas práticas se misturam: ‘swnw”, o médico; ‘wab’, o sacerdote, e ‘heka’, o mágico. Eles têm em comum o conhecimento da escrita que lhes confere um lugar importante na sociedade.

O médico e egiptólogo – John Nunn – autor do livro Ancient Egyptian Medicine  que foi meu colega, em Londres, explica que o “snw” tinha uma conduta ética, precursora dos médicos da atualidade ou seja ele faz um exame físico dos pacientes, um diagnóstico  da doença e, finalmente, um prognóstico. (NUNN, 1996:27)

No final, o ‘snw’ encerra a consulta, dando uma das três alternativas:

Esta é uma doença que eu vou tratar;

Esta é uma doença que tentarei tratar;

Esta é uma doença que não se pode tratar.

Bibliografia:

NUNN, John Ancient Egyptian Medicine, London, British Museum Press, 1997

BAKOS, Margaret Fatos e Mitos do Antigo Egito. 3º EDIPUC, 2009

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