Mito de Heliópolis

O mito de Heliópolis dá conta de duas explicações: a primeira diz respeito à criação do mundo fundada nas relações de uma família formada por nove deuses primordiais. A segunda responde à formação do poder faraônico, iniciado após uma briga no Olimpo egípcio entre dois deuses – Osíris e Seth -, responsável após o nascimento de Hórus, pelo enfrentamento entre esse Deus e o seu tio, Seth. De acordo com a narrativa de Heliópolis, no início não existia nada no mundo, exceto Nun , as águas primordiais ou oceano. Nesse caos, em cima de um monte, surgiu o deus, Atum, “completude”, que deu início a uma linhagem divina, representativa dos elementos do universo. O primeiro par divino formado foi o de Shu e Tefnut: a atmosfera e a umidade. Desse casal nasceu Geb, a terra, e Nut, o céu, por sua vez, pais de outros dois pares divinos: Osíris e Ísis e Set e Neftis. Esses deuses representariam a passagem da ordem cosmológica à terrestre. Atum e seus oito descendentes formaram a Grande Enéade, ou seja, os nove, de Heliópolis.

A segunda parte do mito, que narra à formação do poder faraônico, inicia-se com a disputa que se criou entre Seth, o deus do deserto, e, portanto, da morte, e o seu irmão, Osíris, divindade da vegetação e da vida. Popularizada pelos gregos174 , essa estória conta que Seth, o deus das coisas ruins, por inveja da importância de Osíris, “o ser perfeito”, assassinou o irmão, de forma traiçoeira, aprisionando-o em um sarcófago, que ele jogou no rio Nilo. A protagonista principal do mito passa a ser a deusa Ísis – esposa e irmã de Osíris. Desesperada com o crime, ela partiu no resgate do corpo de Osíris, que havia chegado, pelo mar Mediterrâneo, às costas da Fenícia antiga. A deusa, ao longo de uma série de episódios, localizou o sarcófago de Osíris, no palácio do rei de Biblos e trouxe o corpo do irmão de volta para o Egito. Ali, o sarcófago foi roubado por Seth que, desta feita, cortou o corpo do morto em 14 pedaços que ele espalhou pelo Egito. Ísis, graças aos ensinamentos recebidos de Anúbis, o deus com cabeça de chacal, conseguiu reunir todos os pedaços, exceto o falo, que foi comido por um peixe, e fez a primeira mumificação da história, concebendo, com o marido morto, um filho: Hórus, com o que garantiu a descendência do ramo divino de seu marido.

Mito da criação de Heliópolis.

Ísis criou o filho com muita cautela, temendo a fúria de Seth contra ele. Quando Hórus entrou na idade adulta, buscou vingar o pai e disputar com o tio, o direito perante um tribunal de deuses ao trono do Egito. Durante oitenta anos, os parentes brigaram, até que Hórus conquistou a justiceira decisão de sucessão a Osíris no trono do Egito.

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