Imagens faraônicas no Brasil

Os três monumentos da história egípcia, que frequen­temente servem de referência à construção de textos-ícone da egiptomania, foram criados por volta de 2800 a.C. Foi quan­do o primeiro rei Djoser, da III Dinastia, inaugurou o antigo império, no qual se constituiu, do ponto de vista estético, socioeconômico, político e religioso, um conjunto de elemen­tos e instituições bastante representativos da civilização egíp­cia, com destaque no caráter divino do poder faraônico.

Segundo Jean-Marcel Humbert, em nível mundial, as imagens mais empregadas nas práticas de egiptomania são, em primeiro lugar, a pirâmide; em segundo, o obelisco; e em terceiro, a esfinge, com o nemes, toucado de origem egípcia. 

Os três grandes ícones trazidos do Egito, alguns originais, fazendo hoje parte da paisagem urbana ocidental. Os obeliscos, por exemplo, construídos para guardar a memória de faraós, atualmente, enfeitam grandes capitais – Roma, Paris, Londres e Nova Iorque, para nomear algumas – que também exibem, em seus museus, exemplares originais dessas imagens, até mesmo em material precioso. Além disso, através da egiptomania, esses ícones seguem sendo construídos na atualidade, em diferentes materiais.

A pesquisa e a consequente catalogação demonstrou que, no Brasil, assim como ocorre em todo o mundo ocidental, os obeliscos são erguidos por quatro motivos: para homenagear personalidades e figuras públicas; para funcionar como marcos de fronteira; para celebrar datas; e , finalmente, para caracterizar e exaltar colônias de imigrantes.

No Brasil, as primeiras peças da coleção egípcia que compõe o acervo do Museu Nacional, considerada pelos es­pecialistas como o mais importante da América do Sul, fo­ram compradas por D. Pedro I, no início do século XIX. Essa coleção prossegue com o Imperador D. Pedro II, primeiro no­tório egiptologista brasileiro e profundo estudioso da história universal. Aliás, possivelmente, nesse antigo gosto portugu­es datam do final do século XVIII e princípio do século XIX as primeiras práticas de egiptomania no país. Entretanto, o histórico da egiptomania no Brasil permanece bastante des­conhecido. Poucos sabem que as primeiras e mais bonitas obras arquitetônicas inspiradas em elementos do Antigo Egi­to foram aqui construídas por iniciativa da família real por­tuguesa, quando, em finais do século XVIII, o Rio de Janeiro começou a se firmar como o principal porto da colônia portu­guesa americana e capital do vice-reinado.

Pelos significados de imortalidade, solidez, credibilidade e sabedoria, esses elementos tão presentes na arte faraônica, permanecem no imaginário coletivo da humanidade. São utilizados de diferentes formas, com ênfase na publicidade e propaganda de ideias e de produtos.

No levantamento de obeliscos, obras arquitetônicas, artísticas e nomes de elementos oriundos daquela civilização, acreditava-se que esse campo de investigação era novo e promissor. As amostras colhidas demonstram que o imaginário nacional levou às últimas consequências sua opção por aplicar a outras finalidades formas de expressão que manifestam as técnicas e a imaginação dessas criações milenares.

Sem dúvida, a egiptomania é espaço privilegiado para se visualizar e melhor compreender o grau de conhecimento, sentimento de pertencimento e o comprometimento do homem para com a história planetária. Aproximar e facilitar a compreensão de pessoas muito diferentes e distantes, da cultura egípcia antiga, no tempo e no espaço, é, certamente, a tarefa, por ofício, do professor de História. A história da humanidade encontra-se nos registros do cotidiano, fora dos museus. Ela pode ser vista e sentida nas ruas de uma cidade.

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