Festas e festivais no Egito Antigo

As festas são uma parte importante da vida das diferentes civilizações. Embora se façam de vários modos, existiram sempre em todas as épocas e em todos os povos e religiões. No Egito Antigo, as comemorações religiosas ocupavam um lugar particularmente importante.

A palavra que os egípcios utilizavam para designar “festa” era heb ( Hb) e tinha uma importância tão relevante para eles que se encontra em diversos nomes próprios de homens e mulheres, como o nome do faraó Horemheb (Hor-em-heb, , Hr 

m Hb), que significa precisamente “Hórus está em festa”. Existia também o termo “festival” (uag, , w3g) usado para as grandes festividades religiosas, ou não, que se celebravam anualmente. 

Os feriados e as festividades religiosas egípcias eram esperados com ansiedade, em especial pelas classes sociais mais baixas (como os artesãos, camponeses, entre outros), cuja vida se resumia a uma labuta constante, marcada pela pobreza, doença e extrema incerteza. Durante as cheias do rio Nilo, quando os campos não podiam ser cultivados, os trabalhadores eram requisitados pelo Estado para trabalhar em pedreiras ou nas inúmeras obras do faraó. Porém, por vezes, durante a época das enchentes, o trabalho cessava durante algum tempo para que os trabalhadores pudessem participar na celebração de festas religiosas . 

Segundo alguns textos, provenientes dos arquivos dos principais templos (como o de Karnak, Luxor e Abido, entre outros), existiam inúmeras oportunidades para se realizarem festivais, que poderiam ter origem agrária, astronómica ou política.

As festividades podiam durar apenas um dia e constar de uma mera procissão através do templo e de um banquete ou possuir um carácter mais abrangente ou oficial, transformando-se então nos grandes festivais, que atraíam  um número maior de participantes  e mais público, tendo por isso uma enorme repercussão na sociedade egípcia. 

Cada deus tinha o seu próprio festival, como o de Amon em Tebas, Osíris em Abido, entre outros.  Representadas em detalhes nas paredes dos templos, as procissões religiosas não consistiam num percurso meramente físico, mas eram igualmente um caminho espiritual, que se iniciava nas margens do rio Nilo e se destinava a comemorar sobretudo a fecundidade divina que alimentava a terra. 

Executadas com grande pompa e vividas com imensa alegria e fervor religioso, estas cerimônias coletivas permitiam que o povo pudesse vislumbrar e adorar as suas divindades, ao mesmo tempo que materializavam as diversas tradições míticas. 


Fonte: http://hdl.handle.net/10451/6166

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