Egito: Animais e Deuses

Na história egípcia, alguns animais são representados como seres vivos, enquanto outros são colocados em pedestais, enfeitados com cetros, coroas ou plumas, ou estilizados de várias maneiras, e eram, consequentemente, considerados como ídolos feitos de pedra, madeira, argila ou metal. 

Os animais selvagens, embora avidamente caçados, eram olhados com especial admiração e respeito por conta de sua grande força e ferocidade; o leão e o touro selvagem aparecem nas paletas do último período pré-histórico e na paleta de Narmer como símbolos de um vitorioso rei deificado destruindo os inimigos. É a leoa que melhor aparece, na verdade, como uma divindade que tem vários nomes, conforme o sítio.

Animais domésticos, como uma classe, são representados de diferentes maneiras de culto; touros e carneiros impressionavam os camponeses pelo seu poder reprodutivo e as vacas, pelos cuidados maternos. O culto ao touro Hapi (grego Ápis) começou na 1ª Dinastia. Há uma antiga identificação com a deusa Hathor de Dendera e é incerto qual deles, se algum, é representado com cabeça humana, com orelhas e chifres na paleta de Narmer e nos marfins das tumbas dos reis da 1ª Dinastia (Djer e Merpabia).

A deusa Hathor recebia uma cabeça humana, mas ela tinha dois chifres de vaca e um disco solar entre eles. A deusa Mafdet era completamente humana, mas se camuflava na pele de animal semelhante ao gato. Cultos de carneiros são também conhecidos de vários monumentos da 1ª Dinastia.

Desde tempos remotos, os egípcios domesticaram cães. Provavelmente por sua utilidade para caçadas. Muitos canídeos, em diversos lugares, de diferentes raças foram escolhidos para representações. Uma das mais comuns entre os divinizados foi a do Upuaut “O abridor de caminhos”. Era representado por Anupew, melhor conhecido pelo seu nome grego, Anúbis, cujo culto foi praticado em vários lugares no nomo XVII do Alto Egito, a capital que levou, nos tempos gregos, o nome de Kynopolis, isto é, “cidade dos cães”. O animal de Anúbis era sempre representado deitado, frequentemente com uma pena de avestruz no dorso. Desde tempos imemoriais, ele era um deus dos mortos e protetor dos enterramentos; o cão era um animal que perturbava as tumbas enquanto procurava ossos e seu culto, por isto, foi uma espécie captatio benevolentiae.

Uma deusa-gato – ou deusa-mangusto – “Mafdet”, “Senhora do Castelo da Vida”, presente desde a 1ª Dinastia, foi desde cedo invocada como protetora contra as picadas de cobras, uma vez que ambos os animais eram destemidos matadores de cobras. O centro de culto desta deusa é ignorado. A deusa-gato Bastet, desde a IIª Dinastia, era assim chamada e tinha o seu culto na cidade de Bast (para os gregos Bubastis), no Baixo Egito. Entretanto, seu animal original não era o gato domesticado, mas sim uma leoa.

<— Dois fragmentos que formam uma representação de Mafdet.

Entre as serpentes, a perigosa naja era o animal da deusa Wedjoyet, “A Verde”, de Buto no VI Nomo do Baixo Egito. Ela se tornou a deusa tutelar do Baixo Egito, cuja capital era Buto e ficou neste papel até a unificação das duas terras.

Ilustração de Wadjet de Leon Jean Joseph Dubois, do Panteão egípcio —>

A deusa-abutre Nekhbet, cuja origem era Enkhab, (moderno El-Kab), no Alto Egito parece não ter tido nenhum outro nome distinto, pois Nekhbet significa simplesmente “Aquela de Enkhab”. Nos tempos pré-dinásticos, tornou-se a deusa tutelar do Alto Egito.

É curioso que, em comparação com os numerosos cultos de quadrúpedes e pássaros, os peixes eram relativamente raros. Na 1ª Dinastia havia a adoração ao deus-peixe Neres ou Neser, que tinha a imagem de um golfinho. 

Os deuses egípcios tiveram sua origem no país; embora tenha sido sugerido, algumas vezes, que eles vieram de fora, e é possível demonstrar que alguns deles possam ter vindo de fora, seus nomes podem ser explicados pela linguagem egípcia. Eles são, então, puramente nacionais e como tal permanecem até que a política egípcia imponha seu culto nas vizinhanças, como Núbia e Sudão, Palestina e Síria. Mas, em seu isolamento original, eles eram apenas do Egito.

Os egípcios eram tolerantes com outros deuses dentro do Egito e igualmente com os deuses dos conquistados. Eles simplesmente os consideram como formas de suas próprias divindades. Está claro que, nessas circunstâncias, nenhuma heresia pode aparecer e, com exceção do curto período de Akhenaton, nada é conhecido sobre perseguição religiosa.

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