Do Egito a Lisboa

O falcão, representado na sua forma animal, foi muito cultuado no Egito Antigo. Edfu, no alto Egito, quase a meio caminho entre Luxor e Assu, foi lugar sagrado para os egípcios, porque, segundo um mito milenar, foi o local em que o deus falcão Hórus travou uma violenta batalha com o seu tio Seth, que assassinara cruelmente Osíris, pai de Hórus.

O templo de Hórus, ali existente, ficou soterrado sob areia por quase dois mil anos e, após sua descoberta e restauração, é, hoje, o mais bem preservado templo ptolomaico do Egito. Sua construção começou com Ptolomeu III Evérgeta, em 236 a.C. e foi continuada até o tempo de Ptolomeu XII (80-51 a.C).

O templo, que imita projetos faraônicos muito mais antigos, apresenta um primeiro pilono muito imponente, com 36 metros de altura, decorado com cenas faraônicas de Ptolomeu XII derrotando os inimigos diante de Hórus e Hathor. Duas estátuas de Hórus ladeiam a entrada do pilono, chamando a atenção dos turistas.

Imagem: © 2022 MEMPHIS TOURS

Milhares de visitantes passam informações que se multiplicam, nos seus respectivos países, sobre a mitológica origem do deus falcão e de seus poderes mágicos! Talvez a escultura de Hórus de Edfu tenha inspirado a criação magnífica que enfeita e sinaliza com majestade o mentor da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Com cerca de 2 metros da altura, no jardim frontal da Fundação Calouste Gulbenkian, em área nobre da cidade de Lisboa, essa imagem egípcia, é uma imitação da escultura existente no templo de Edfu, no Egito. É interessante pelo seu caráter compósito: sentada junto ao deus mitológico está a escultura de Calouste Sarkis Gulbenkian. Esse milionário armênio, naturalizado britânico, deixou, em testamento, datado de 18 de junho de 1953, significativa parte de sua fortuna pessoal à criação de uma instituição particular de utilidade pública geral, com sede em Lisboa. A doação perpétua e dotada de personalidade jurídica foi um agradecimento à acolhida que Gulbenkian recebeu na velhice, em Portugal.

O monumento assinala a presença simbólica do deus antigo egípcio no continente europeu em uma evidência dos sentidos que sua representação ainda detém. Esse fenômeno comparece em outros usos feitos dela, há milênios. Por exemplo, a figura de Hórus, está presente na decoração da fachada e no nome de uma ótica em Porto Alegre, que nos dias de hoje ainda está à mostra.

Fique atento, bem perto de você, pode haver alguém que buscou um deusinho e/ou seus olhos para dar uma mensagem, vender um produto, ou usar sua imagem do olho de Hórus para fazer uma tatuagem charmosa! 

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