Escribas: os mais importantes funcionários reais


A vida na vila de Deir el Medina


Vinho no Antigo Egito

Nos primeiros registros históricos do Egito Antigo, em torno de 3.000 a.C, já aparecia a palavra IRP, que significa vinho. Os egípcios antigos não registraram o que o consumo do vinho significava para eles, porém descreveram em livros de fórmulas mágicas, em poesias, em contos, em mitos, em ilustrações de papiros e em paredes dos túmulos uma infinidade de cerimônias envolvendo esta bebida. Estas fontes permitem atualmente resgatar um significado básico e três temáticas relacionadas ao consumo do vinho. Conheça um pouco mais sobre a relação dos egípcios com o vinho no infográfico abaixo:


Conheça um pouco sobre a primeira escrita do antigo Egito: Os hieróglifos!



Arte e decoração egípcia no centro de Porto Alegre

Quem passa na frente do atual prédio da Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul, no Centro Histórico de Porto Alegre, não desconfia da decoração interna da tradicional instituição gaúcha.  O atual prédio da Biblioteca Pública começou a ser construído em 7 de fevereiro de 1912, com base no projeto do engenheiro porto-alegrense Afonso Hébert. Durante a década de vinte o prédio precisou ser aumentado e foi durante essa reforma que foram construídas diversas salas temáticas.

Escultura de esfinge com seios, em pedra grés, portando o nemes, o toucado egípcio, em versão muito particular e estilizada.

O pintor Fernando Schlatter ficou responsável pela decoração do gabinete do diretor, denominado, à época, de sala egípcia.  Na sala são exibidas duas representações de esfinge. Uma figura pintada na parede e uma escultura de esfinge com seios, em pedra grés, portando o nemes, o toucado egípcio, em versão muito particular e estilizada.

Urubu policrômico – na imagem, o animal com suas asas abertas e agitadas, força o visitante a olhar para cima

É a reinterpretação e o re-uso de traços da cultura do antigo Egito, de uma forma que lhe atribua novos significados.

A egiptomania se desenvolveu da conjunção entre as descobertas acadêmicas, o saber popular e os relatos de viajantes e escritores, tendo se alimentado continuamente do repertório ilimitado de crenças e mitos universais.

A paixão pelo Egito ressurgiu durante a Renascença, graças à criação da imprensa,  quando os livros de divulgação científica se multiplicaram. Com os relatos dos viajantes e historiadores antigos, o mundo letrado do século XV também redescobriu o Egito.

No século XVIII, com a expedição científica e militar de Napoleão Bonaparte, a egiptomania se tornou febre na Europa. A descoberta da famosa Pedra de Rosetta, encontrada pelos soldados franceses, proporcionaria um avanço extraordinário do conhecimento que temos hoje da civilização egípcia.  A pedra é o fragmento de uma estela de basalto, contendo inscrições de um mesmo texto em três caracteres diferentes: escrita hieroglífica, demótica e grega e duas linguas: a egípcia e a grega. O texto contido na pedra possibilitou ao francês Jean-François Champollion, em 1821, decifrar pela primeira vez o conteúdo até então secreto dos hieróglifos. Na primeira metade do século XX,  com a ação de exploradores e o consequente aumento das descobertas de túmulos e monumentos perdidos, a egiptomania ganhou força.


Deir el Medina

 Deir el Medina é o nome do povoado onde viveram os trabalhadores que construíram e decoraram as tumbas dos faraós, dos seus familiares e da nobreza durante a XVIII e a XX dinastia.  O povoado estabeleceu-se em um pequeno e estreito vale no Alto Egito à margem esquerda do Nilo, em frente a cidade de Tebas, localizada na margem direita do rio.

 Tutmés I, o terceiro faraó da XVIII dinastia, foi o provável fundador desta povoação, criada em 1540 a.C para abrigar os trabalhadores das necrópoles tebanas e suas famílias.  Há consenso na historiografia sobre o fato de a decisão do local escolhido para a construção da tumba deste faraó ter sido determinante para a definição do lugar de habitação dos operários que iriam construí-la.

Ruínas de Deir el-Medina

Durante o reinado de Ramsés III (1188-1157 ªC), no início da XX dinastia, cerca de 1198 ªC, resta um censo, o qual revelou a presença de 120 lares e de cerca de 1200 habitantes na vila. A partir daí, a vila foi sendo abandonada aos poucos, devido à situação de instabilidade criada pelo enfraquecimento do poder faraônico.

O nome da vila significa, em árabe, O mosteiro da vila e durante mais de 450 anos, esse povoado foi habitado por pintores, escultores, desenhistas e artesãos  das tumbas reais. Ainda se conservam muitas evidências arqueológicas, fazendo deste um dos lugares mais estudados da época.


AS VIAGENS DO  DEUS BÊS PELO MEDITERRÂNEO

A primeira menção ao nome do deus Bês aparece nos textos das pirâmides (cerca de 2686 – 2181 a.C). Uma das suas representações mais antigas está inscrita em um bastão mágico, usado em cultos pré-dinásticos no Egito antigo.

Bês é normalmente representado como um anão barbudo, com uma grande cabeça, língua protrusa, nariz achatado, sobrancelhas e cabelos densos, orelhas grandes, braços grossos e longos, pernas arqueadas e cauda. Apesar de sua aparência, às vezes feroz, Bês era um deus da música, das festas; um defensor dos defuntos; um protetor da família e defensor dos nascimentos, estando principalmente associado à sexualidade.

Cultuado, no princípio, por pessoas humildes, com o tempo, tornou-se um deus egípcio bastante popular. Bês era adorado em diversos sítios antigos, ao longo do Mar Mediterrâneo e no entorno continental do Egito. Imagens do deus foram encontradas na Sardenha, Península Itálica, Grécia, Malta, Costa da Anatólia, Cartago, Síria, Palestina e Chipre. Foi adorado também pelos gregos e romanos que dominaram o país, aparecendo, inclusive, fardado como um legionário conquistador itálico.

Atualmente, o deus sofreu um processo de redescobrimento, decorrente das pesquisas arqueológicas, em sítios mediterrânicos, no século XIX. Essas novas descobertas atestam a extraordinária influência exercida pelos antigos egípcios nas expressões culturais ainda presentes no mundo contemporâneo mediterrânico, via apropriação com transformação, na maior parte das vezes, dos seus símbolos e deuses.

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