COTIDIANO E HISTÓRIA

AS VIAGENS DO  DEUS BÊS PELO MEDITERRÂNEO

     A primeira menção ao nome do deus Bês aparece nos textos das pirâmides (cerca de 2686 – 2181 a.C). Uma das suas representações mais antigas está inscrita em um bastão mágico, usado em cultos pré-dinásticos no Egito antigo.

     Bês é normalmente representado como um anão barbudo, com uma grande cabeça, língua protrusa, nariz achatado, sobrancelhas e cabelos densos, orelhas grandes, braços grossos e longos, pernas arqueadas e cauda. Apesar de sua aparência, às vezes feroz, Bês era um deus da música, das festas; um defensor dos defuntos; um protetor da família e defensor dos nascimentos, estando principalmente associado à sexualidade.

     Cultuado, no princípio, por pessoas humildes, com o tempo, tornou-se um deus egípcio bastante popular. Bês era adorado em diversos sítios antigos, ao longo do Mar Mediterrâneo e no entorno continental do Egito. Imagens do deus foram encontradas na Sardenha, Península Itálica, Grécia, Malta, Costa da Anatólia, Cartago, Síria, Palestina e Chipre. Foi adorado também pelos gregos e romanos que dominaram o país, aparecendo, inclusive, fardado como um legionário conquistador itálico.

     Atualmente, o deus sofreu um processo de redescobrimento, decorrente das pesquisas arqueológicas, em sítios mediterrânicos, no século XIX. Essas novas descobertas atestam a extraordinária influência exercida pelos antigos egípcios nas expressões culturais ainda presentes no mundo contemporâneo mediterrânico, via apropriação com transformação, na maior parte das vezes, dos seus símbolos e deuses.

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