As cores do Egito

Os pigmentos usados ​​pelos antigos egípcios constituem uma das  paletas de pigmentos mais diversificada do mundo antigo. Pela utilização de cores, podemos apreender aspectos da imaginação e artesania egípcia, bem como inferir os parâmetros adotados pelos artesãos.  As cores eram utilizadas em representações realistas de cenas cotidianas e para ilustrar os reinos dos deuses, a vida após a morte e as histórias das divindades egípcias.

A paleta egípcia tinha seis cores: vermelho (desher), verde (wadj), azul (khesbedj e irtiu), amarelo (kenit e khenet), preto (khem ou kem) e branco (shesep e hedj). Cada cor tinha seu próprio simbolismo particular e foi criada a partir de elementos encontrados na natureza, razão pela qual eles mantiveram suas cores vibrantes ao longo de milhares de anos.

O amarelo era usado na representação de cântaros, pães, esteiras, colunas, braseiros portáteis, colares, cestos, barcas, gatas, lua crescente, peles de pantera, carneiros, vestes de Khnum e de Anúbis;

O vermelho era empregado na representação de tronos, discos solares, montanhas, portas dos nãos, cones de unguento, pupilas do olho (uedjat), figos, pães, oferendas na forma de roscas, hipopótamos, jubas de leão e uraeus, vestes de Sekhmet e Anuqet e coroas;

O azul era utilizado na representação de tronos, flores de lótus, penteados dos deuses, bancos;  azul poderia significar o rio Nilo e suas colheitas, oferendas e fertilidade associadas, e muitas das figuras de ‘fertilidade’ que representam a generosidade do rio aparecem na cor azul.

O verde era usado nas ofertas de flores, partes descobertas de vários deuses, vestes de Hathor;  Segundo, Richard H. Wilkinson, coisas verdes apareciam para simbolizar comportamentos positivos e vivificantes, em contraste com ‘coisas vermelhas’ que simbolizavam o mal.

O branco denotava pureza e onipotência e, por não ter cor real, representava coisas sagradas e simples. O branco era especialmente simbólico nos objetos religiosos e nas ferramentas rituais.

O negro aparece representando andorinhas. Embora o preto estivesse associado à morte, não tinha conotação do mal, que era representado com vermelho. Diversas vezes e aparece junto com verde, ou em vez de verde, nas representações do além.

Há exemplos de cromatismo misturado, como no caso de um trono azul e rosa, de orelhas rosa e azul, de serpente rosa e amarela, além de escolhas cromáticas arbitrárias para os corpos de vários deuses, em harmonia com as convenções reguladoras da representação das divindades, as quais definiam o modo convencional de representação em todo o Egito. Assim, a deusa ctônica Ahmose Nefertari é configurada em negro, com uma veste rosa; o deus Min é pintado em negro; o deus Ptah é representado em branco, com crâneo e barbas negras, e rosto e colar verdes; o rosto de Osíris também é verde e os de Amon-Re e Khonsu são azuis; as vestes de Satet e Mertseger são azuis, a de Anubis canino é negra e a de Horo é sempre vermelha como os homens.

A cor é importante na arte e em várias culturas ao redor do mundo. Isto porque tradição, religião e simbolismo afeta o modo como nos sentimos em  relação à cor e como elas são percebidas. O simbolismo da cor pode variar dramaticamente entre culturas. No Egito antigo, a cor era considerada uma parte essencial da “visão de mundo egípcia”.

Leia mais sobre a utilização das cores no Antigo Egito!

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