A mágia do olho de udjat

Essa representação de um olho – seja humano ou de um falcão – é, em primeiro lugar, um símbolo da escrita hieroglífica. Ela foi criada há cerca de seis milênios pelos antigos egípcios e foi, por eles denominada de udjat.

O termo udjat parece significar o todo ou o restaurado. Admite-se também que esse olho esteja ligado às fases de crescimento e diminuição da lua, remetendo à mitologia que relata como o olho de Hórus. O olho, como aparece na imagem abaixo, juntamente com uma imagem de um uraeus (serpente que o rei passou a usar em sua coroa a partir do Médio Reino), tornou-se um símbolo da realeza egípcia.


Olho de Hórus com uraeus.

Os significado do olho de Hórus começam a ser elaborados nos textos das pirâmides, esculpidos nas paredes do faraó Unas (2375 – 2345 a.C) da V Dinastia, em Saqqara, e dos governantes da VI Dinastia. 

A representação de udjat, carregando uma cruz denominada de ankh, conhecida como cruz ansata, também é um símbolo hieroglífico. A forma da ankh, que pode ter se originado tanto de uma simples tira de sandália, como de um elaborado arco, significa vida. Levada pelo olho do falcão, a ankh representa a oferenda do filho de Hórus, dos elementos da vida, o ar e a água ao faraó morto, seu pai. Ela confere-lhe o sopro da vida após a morte, no processo denominado de osirificação , ou seja, a passagem do faraó defunto para outra vida, onde reinará por toda a eternidade. 


Olho de Hórus com o símbolo da vida.

Na mitologia egípcia, o sol e a lua eram vistos como os olhos do deus falcão Hórus. Com o tempo, os dois olhos se diferenciaram: o olho esquerdo (o olho de Hórus) passou a ser visto como símbolo da lua – udjat. O olho direito (o olho de Rá) como o símbolo do sol. Dois peitorais do tesouro de Tutankhamon (1334-1325 a.C) mostram, respectivamente, o olho direito ou solar e o esquerdo embaixo do disco lunar, exemplificando essa dicotomia.


Olho de Rá – direito (acima). Olho de Hórus –esquerdo lunar (abaixo).

A figura do udjat, bem como a do falcão são alguns dos elementos do Antigo Egito mais admirados e reproduzidos na atualidade. O olho sagrado, por ser também um símbolo de oferendas, uma vez que foi presenteado por Hórus ao seu pai, Osíris, tornou-se um amuleto apotropaico, ou seja, de proteção e também um arquétipo do ato de doação e de auto-oferecimento.  Variações desse tema começaram a aparecer com frequência na arte do período tardio do Novo Reino e seguem até a atualidade. 

Essas e outras curiosidades você encontra no livro: Fatos e mitos do antigo Egito

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *