A cidade no período faraônico

O estudo da cidade no Egito Antigo, no decorrer do período faraônica, é extremamente importante. A vilas e cidades egípcias, além de baluartes de insurgência contra o deserto e a fome, foram também, fundamentalmente, espaços para o exercício do controle da produção pelas elites no poder.  Essa extensa rede urbana, criada às margens do Nilo, foi aproveitada e atualizada pelos conquistadores helenísticos e romanos. 

Os egípcios usavam diferentes termos para designar os seus agrupamentos, destacando-se entre eles “niwt” para cidades e “dmi”  para aldeia ou povoação. O fato revela uma sociedade complexa, onde os povoamentos são diferenciados e têm funções específicas.  Uma rápida análise desses sinais nos revela uma extraordinária diferença entre um e outro. É através destes que se resgatam características básicas dos povoamentos egípcios.  As diferentes denominações dadas aos sítios também se estendiam àqueles que os habitavam. Assim era citado cada um à sua maneira, os habitantes das cidades e os das vilas.

Hieroglifo determinativo de cidade (segundo Griffith)

O hieróglifo determinativo para cidade é um círculo ao redor de uma cruz em diagonal.  Há um consenso entre os egiptólogos de que o hieróglifo sugere claramente a ideia de ruas cruzadas dentro de uma área cercada de formato circular ou oval. Os arquitetos egípcios desenvolveram os planos de ruas e cidades 2.000 anos antes de Hippodamus de Mileto, que no século V a.C., introduziu um sistema de planejamento urbano na Grécia antiga.

O hieróglifo resgata a história de aglomerações nascidas no cruzamento de caminhos, protegidas por  paliçadas circulares, constituindo um modelo que se manterá até configurar o cardo-decumanos dos romanos.  Este hieróglifo passa a ser a chave de um “urbanismo raiado” em volta de um centro que é o seu “coração e alma”. A cidade d’Athribis configura a perfeição o símbolo determinativo para cidade. No centro há lugar para o templo, “casas” administrativas, como eram chamadas e moradias maiores dos altos funcionários. 

Outro fator importante é que foram decifrados inúmeros textos indicando que em determinados momentos da história do Egito faraônico houve claramente a preocupação de promover a construção de cidades.  Isto ocorreu, por exemplo, em períodos tão remotos quanto o do governo do Faraó Userkaf, da quinta Dinastia. As primeiras pistas que revelaram este fenômeno foram expressões como ” supervisor das cidades novas e governante das cidades novas”. 

el-Amarna – cidade real de Akhetaton, no final da 18ª Dinastia

Durante o período faraônico houve uma preocupação dos monarcas em estabelecer centros administrativos para o controle da produção, que era basicamente agrícola. As vilas e cidades, que diferiam no tamanho, tinham fundamentalmente a função de serem centros administrativos. Também haviam as cidades-templos e cidades-fortalezas. 

As vilas do Egito faraônico são incontáveis. As aglomerações denominadas pelos egípcios de cidades, existiam em menor número e eram principalmente as capitais nacionais.

Você pode ler essas e outras curiosidades no livro :

Fatos e mitos do antigo Egito

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